segunda-feira, 4 de julho de 2011


As minhas faltas na escola
Eu, na quinta-feira faltei à escola, o dia todo, sem o meu pai e a minha mãe saberem. Mas a professora de Língua Portuguesa telefonou aos meus Encarregados de Educação. E eu fiquei cheio de medo. Para não ficar de castigo e levar “porrada” fugi… fui para um sítio onde ninguém me procurasse. Fugi para o jardim do conhecimento, que tinha sido abandonado há muitos anos.
O meu pai foi à minha procura e a minha mãe telefonou para a polícia. Mas, também ela preocupada comigo resolveu ir, junto com o meu pai, à minha procura. Entretanto, eu já cheio de fome e de sede, e sentindo a falta dos meus pais e dos meus amigos, desejei que tudo voltasse atrás. Foi então que dei um chuto numa pedra, muito brilhante, que bateu numa lâmpada mágica. De repente…no meio do nada… apareceu um génio, musculado, com um enorme chapéu e com alguns fios pendurados ao pescoço. Olhando para mim, com um ar muito sério exclamou: - meu filho, tudo o que me pedires será realizado! E eu comecei a pensar, nas muitas coisas que queria, pensei principalmente nos meus pais, pensei e pedi que tudo voltasse ao normal.
Quando isso aconteceu, jurei para mim mesmo que nunca mais iria faltar às aulas, para os meus pais ficarem contentes comigo, um dia ser muito rico e ter, finalmente, aquilo que ACABEI POR NÃO PEDI AO MÁGICO.

                                                                                                    João Palma 6ºL nº10

Poema
O meu companheiro é o Miguel
Miguel que teve bom num ponto
Ponto difícil de escalar é o Himalaia
Himalaia é um nome redondo.

Redondo é o cesto de basquetebol
Basquetebol é o que o Carlos joga
Joga numa equipa de NBA em Itália
Itália é uma cidade muito bonita.

Bonita é a Sara que é de Portugal
Portugal cuja capital é Lisboa
Lisboa onde nasceu o Pedro
Pedro o melhor amigo do Carlos.

Carlos que conquistou oito taças
Taças de Portugal e Alemanha
Alemanha um pais muito bonito.
Bonito é a cidade de Lisboa

Lisboa onde mora a avó da Sara
Sara namorada do João jogador
Jogador da equipa do Sporting
Sporting melhor equipa de Portugal.
                                                        João Pedro Palma, nº10, 6ºL (2010/2011)

terça-feira, 1 de março de 2011

O Lori vai à América


Era uma vez um senhor que tinha uma águia, o senhor chamava-se Lori e vivia em Portugal. O Lori estava à procura de um castelo rico, que tinha um cofre com dinheiro, mas o castelo estava na América. Então certo dia o Lori pensou numa forma de ir à América, ao pensar foi até à praia. Mal chegou viu uma chave caída na areia, e a chave dizia barco grande. Foi andando com a chave no bolso. Passado algum tempo viu um barco grande e lindo, o Lori pensou que a chave podia ser do barco. Foi até ao barco, tirou a chave do bolso e pôs a chave na ignição do barco e o motor começou a trabalhar. O Lori partiu de Portugal para a América, mas quando ia a caminho apareceu uma tempestade muito forte, o Lori não sabia o que fazer. Passado algum tempo a tempestade acalmou, mas o Lori com a tempestade foi parar a um deserto. Ao sair do barco deparou-se com uma índia. A índia puxou de uma faca e gritou: -Eu vou-te matar velho!
O Lori com medo balbuciou: - Águia anda...
A índia com raiva foi a correr com a faca, mas de repente apareceu a águia e tirou-lhe a faca. Lori  cheio de medo ainda perguntou: - O que queres de mim?
A índia aproximou-se de Lori e beijou-o. Lori e ela acabaram por ficar namorados.

Diogo 6º L

A minha autobiografia


Sou o Valdmir Varela, tenho treze anos e nasci em mil novecentos e noventa e sete. Vim de Cabo Verde em dois mil e três, agora moro no Chegadinho, na rua Almada Negreiros e ando na Escola Básica 2º e 3º ciclos da Alembrança.
Eu ando a estudar para ver se saio desta escola para o ano. Quero acabar a escola para poder ser alguém no futuro… eu gostaria de ser banqueiro porque gosto de dinheiro. Eu não gosto de me levantar cedo para vir para a escola, não gosto de estudar para os testes e também não gosto de escrever. Gosto das férias porque jogo à bola, com os meus amigos e vou para a praia, vou também passear para a feira de Corroios. Mas apesar de eu não estudar e ler, eu sou bom aluno e espero que tudo corra bem para o ano. 

A minha autobiografia


Eu sou o Tiago Pereira, tenho treze anos, duas irmãs e moro na rua António Aleixo.
Nasci no hospital Garcia da Horta em Almada, no dia vinte e cinco de Dezembro de mil novecentos e noventa e sete, media cinquenta e cinco centímetros e pesava três quilos. Era loiro, tinha os cabelos aos caracóis e era muito branquinho. Agora sou moreno e tenho o cabelo castanho e curto.
Gosto de matemática e de jogar basquetebol. A pessoa de quem eu mais gosto é do meu avô materno, que já morreu. Gostava de ser electricista ou mecânico.

A minha autobiografia


Sou o Ricardo Maia e nasci em mil novecentos e noventa e seis, no dia 11 de Julho, no hospital Garcia da Orta, agora tenho catorze anos. Quando nasci tinha apenas sete meses de gestação e pesava 1 kg e7 gramas. Quando nasci a minha família dizia que eu cabia numa caixa de sapatos. O meu avô dizia que eu tinha mau feitio. 

A minha autobiografia


Sou o Edy Veiga

Tenho dezasseis anos, moro no Chegadinho, na rua Almada mas venho de Cabo Verde, sou cabo-verdiano.
Não gosto de ser gozado. Não gosto que me chateiam muito. Eu gosto é de ir à praia, gosto da minha terra, de estar lá… em Santiago com a minha família. Gosto de pescar com o meu pai. Gosto de beber, alguma coisa, quando vou passear com os meus amigos. Gosto de jogar futebol. Eu trabalhava muito na horta, com o meu irmão, em Cabo Verde… passeava de barco. Gosto muito de Portugal, além de ser secante dá para divertir. Arranjei novos amigos e gosto da minha escola, Escola Básica 2º e 3º ciclos de Alembrança. Eu gosto de estudar e as minhas aulas favoritas são Física e EVT.

A minha autobiografia


Sou o João Palma, tenho catorze anos e nasci a vinte e oito de Julho de mil novecentos e noventa e seis, no Garcia da Orta em Almada.
Tenho muitos tios, tias, muitos primos e primas, quase todos mais velhos do que eu, poucos são mais novos. Tive um avô que já faleceu. Foi esse avô que me criou junto com o meu pai. Há oito anos que não vivo com a minha mãe, por isso não fui criado com ela. Também gosto muito do meu avô materno, é muito compreensivo. Gosto muito dos meus tios maternos e paternos … são muitos. Tenho uma tia materna mais nova que eu, e outra paterna que tem idade para ser minha avó.
Gosto de praticar desporto, principalmente futebol.
E é assim que acaba a minha autobiografia. 

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A minha autobiografia


Eu sou a Neusa Neto tenho treze anos, nasci no dia catorze de Julho de mil novecentos e noventa e sete. Nasci no hospital e vivi em S. Tomé, em Diogo Simão, na altura era gordinha, chamavam-me gorducha. Agora peso quarenta e um quilos, tenho o cabelo castanho e os olhos pretos.
A minha mãe chama-se Otília e tem trinta e oito anos. O meu Pai chama-se Jorgino e tem trinta e seis. Os meus pais estão separados há muito tempo. Eu fiquei muito triste na altura. Conheci os meus avós todos e tenho muitas primas. Tenho dois irmãos, um tem quinze anos e o outro tem sete, eles ficaram em S. Tomé… eu não gosto muito de Portugal.
A minha melhor amiga é a Silvania. Os meus melhores amigos são o Paulo e o Gorginei. A minha comida preferida é batatas fritas com frango assado.

A minha autobiografia


Sou a Marta Jorge tenho treze anos, nasci no hospital Garcia da Orta, em Almada, no dia dezasseis de Setembro de mil novecentos e noventa e sete, pelas dezoito horas. Pesava 3.600 kg e era um bebé muito bonito.
Estudo na Escola Básica da Alembrança não gosto de Matemática, mas gosto muito de Língua Portuguesa e de Inglês.
Tenho duas amigas e gosto muito delas, são a Jéssica e a Maria, estou sempre com elas, mas mais com a Jéssica porque ela é da minha turma, a Maria este ano não é, mas fez parte da minha turma no ano passado.
A pessoa mais importante para mim é a minha mãe, às vezes ela fica chateada comigo... quando faço alguma coisa de mal.
O meu pai não vive comigo, nunca estou com ele, mas gosto muito dele.
Tenho muitos primos e primas, no Alentejo (Santo André), que não conheço.
Tenho duas irmãs a Cátia e a outra é a Maria Micaela, gosto muito delas mas não me dou muito bem com a Cátia.
No futuro gostava de ser Educadora de Infância porque gosto muito de crianças. É assim a minha autobiografia.

ESTA É A MINHA AUTOBIOGRAFIA


Sou Janoilson Gonçalves tenho catorze anos, nasci em Cabo Verde no dia dez de Abril de mil novecentos e noventa e seis à 1h:00. Quando eu era bebé a minha mãe chamava- me de gorduchinho porque era gordinho e muito chatinho. Agora sou um homenzinho, mas continuo chatinho só que agora sou magrinho, maluco e não levo desaforo para casa … eu tenho um grande segredo. Eu só sou simpático quando quero.
Tenho cinco irmãos chamam-se Ertiziana, Leisa , Leila , Ertimeza  e Elson. A minha mãe chama-se Elisabete, tem quarenta e seis anos e é santomista .  As pessoas que eu mais gosto são a minha mãe, a minha irmã Ertiziana, a Leisa e a Leila e os meus sobrinhos que se chamam Viviane (a minha preferida é a Lidiane), o Júnior, o Eriquison e o Diego. Quando estava em Cabo Verde eu era mais feliz, estava rodeado de muitas pessoas que me amam, eu dava tudo para ser feliz. Lá tinha muitos amigos o Zedimer, Maudine, Vá, Elias Eriqueson enfim… a minha namorada que se chama Jaline e ainda espera por mim em Cabo Verde, sinto-me muito infeliz longe de quem me ama. Não cheguei a conhecer a minha avó materna. 

A minha autobiografia



Eu  sou  a  jéssica  Sanches  tenho  doze  anos,   nasci  no  dia  vinte  de  Março de mil novecentos e noventa  e oito. Estudo  na  escola  basica  da  Alembrança,  não  gosto  de  ler,  nem  de escrever, nem  de contar. Não gosto de ler porque  é secante, nem estar  a olhar para o  livro, nem de escrever porque cansa as mãos, nem de contar porque às vezes perguntam-me coisas da minha vida  e eu não gosto de contar nada sobre mim.
Gosto  de estar com as minha amigas e também gosto de  sair. Tenho três amigas a Diana, a Eve e a Marta,  gosto muito delas.  Moro em Almada mas  nasci  em Cabo  Verde,  sou alta tenho um metro e cinquenta ,  o meu cabelo é castanho e os olhos também.  Tenho uma irmã  que se chama Ângela, tem quinze anos e anda na escola António Gedeão.Tenho um primo chamado jair que já tem vinte  e quatro anos . 

A autobiografia do João Cardoso


Sou o João Cardoso tenho catorze anos, nasci no dia vinte e nove de Março de mil novecentos e noventa e seis no hospital Alfredo da Costa em Lisboa. Tenho três irmãs mais velhas e cinco sobrinhos com oito, um, dois e três anos. Tenho também uma sobrinha que nasceu em França há menos de um mês, mas não a conheço.
Eu era muito gordinho quando era pequeno, gostava de jogar à bola e passear pela praia da Costa da Caparica. Era muito brincalhão e gostava de ir aos bailes do meu bairro com o meu pai e os meus irmãos. 

A autobiografia do Marcos


Olá,

 o meu nome é Marcos Santos  tenho treze anos e moro na rua Teófilo de Braga, habito lá há quatro anos. Eu nasci no hospital Garcia de Orta no dia catorze de Junho de mil novecentos e noventa e sete.

Quando era pequenino era muito brincalhão e muito reguila, fazia muitas coisas… gatinhava e o meu tio gostava muito de mim, porque era um bocadinho gordinho e muito brincalhão. Quem gostava de mim era o meu tio, a minha tia, a minha avó, a minha prima, a minha mãe, os meus irmãos todos e sim o meu pai também. Eu fui muito feliz até à morte dele e hoje ainda sou.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A minha autobiografia

Eu sou Diogo Ribeiro, tenho catorze anos. Nasci em trinta e um de Outubro de mil novecentos e noventa e seis no dia das bruxas, em Lisboa. Quando eu tinha três anos o meu cabelo era castanho leve e encaracolado. O meu apelido quando era criança era pantufa, o meu tio é que me pôs esse apelido e todos concordaram. Vivia e ainda vivo com os meus pais e a minha irmã. Eu sou mais parecido ao meu pai do que a minha mãe. Tenho quatro amigos favoritos, conheci os três amigos na escola e o outro amigo no meu prédio. Eu agora adoro jogar no computador e estar com os amigos. Não gosto de estudar e não gosto da escola. O meu país favorito é Brasil, mas nunca lá fui. Adoro carne de cabra com batata frita, feito pela minha avó materna, odeio peixe de pescada. Adoro criar blogs e vendê-los, eu agora só tenho um blog mas vou criar mais. Eu aprendi a desenvolver o blog mais bonito no dicasparablog. Eu praticava ténis e natação mas desisti porque era muito caro. Quando eu era pequeno vivia em Lisboa, mas agora moro em Almada.
                                                           Dia vinte e quatro de Fevereiro de dois mil e onze

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Meu irmão branco...




Quando eu nasci, era negro.
Quando eu cresci, fiquei negro.
Quando eu vou ao sol, eu sou negro.
Quando eu estou com frio, eu sou negro.
Quando estou com medo, eu sou negro.
Quando estou doente, eu sou negro.
Quando eu morrer, eu serei negro.

E tu, meu amigo branco…

Quando nasceste, eras rosa.
Quando cresceste, ficaste branco.
Quando vais para o sol, ficas vermelho.
Quando tens frio, ficas roxo.
Quando tens medo, ficas branco.
Quando estás doente, ficas verde.
Quando morreres, ficarás cinza.

E depois de tudo isto, homem branco,
Ainda tens a coragem
De me chamar homem de cor?!

Poeta africano anónimo (adaptado)

CIGANA, COMO NÓS



Há muitos anos que uso, pendurada no meu fio, uma medalha com uma letra em aramaico. É um símbolo antiquíssimo que quer dizer «Deus está contigo»! Deus está comigo. Nunca tive qualquer dúvida. E os ciganos também me consideram uma como eles desde que uma vez abri a porta grande e pintada de verde do quintal e os mandei entrar a todos. Eram onze. Entraram e sentaram-se debaixo da nespereira, em cima do carro das mulas que envelhecia desde o tempo do avô, nos degraus da cozinha. Não sei o que me passou pela cabeça mas eles tinham batido à porta, entraram e agora estavam ali e povoavam o quase silêncio dos meus dias com a sua voz cantada, suas histórias de vida ao acaso, seu perfume a lenha queimada e animal saudável. Disseram-me que estavam fartos de pão seco. Pelas estradas da minha terra só lhes tinham dado pão seco, pão duro. As crianças precisavam de tomar qualquer sopa quente. E mostravam-me sacos cheios de bocados de pão velho, de côdeas, de fome adiada. Então combinámos ali, como se nos conhecêssemos desde o princípio do mundo, um almoço de açorda com azeitonas. Fui apanhar um grande molho de coentros enquanto a cigana velha acendia uma fogueira para fervermos uma panela de água com todos os rabos de bacalhau que achei na cozinha. As outras amamen­tavam os filhos enquanto os homens conversavam e fumavam, tranquilamente. Fizemos a açorda no alguidar de amassar o pão. Nunca me lembro de ter sido tão feliz. O poder dispor de qualquer coisa e compartilhá-la com tanta gente, naquela naturalidade espontânea, o ter alhos e coentros e um alguidar de barro que che­gasse para todos comerem era muito bom. Quando a Mãe chegou da casa da minha tia, eu e os onze ciganos comíamos açorda com azeitonas e contentamento. Era a grande família por mim desejada. Os risos! Uma alegria tão grande, tão visível, tão verdadeira! Respirava-se naquela hora um ar tão fraterno e simples que minha Mãe olhou em volta, viu as flores pisadas, o chão que ela mantinha sempre impecável todo sujo e apenas disse:
- Há melancias lá dentro. Vou buscá-las.
E nas mãos dos ciganos, negras, de dedos ávidos e sedentos, as talhadas de melancia nasceram como uma lua nova. Uma das crianças ergueu as mãos e começou
a dançar. Os outros batiam palmas marcando o ritmo. Outra cigana, já mãe, levantou­-se e dançou também. A mais velha de todas agarrou-me pelos ombros e colocou-me no meio deles. Então levantaram-se todos e começaram a dançar à minha volta, cantando uma estranha música de que ainda recordo as lágrimas que me acendeu. A minha Mãe estava comovida mas eles não a chamaram a compartilhar daquele momento. Era como se ela não existisse e o mundo fosse só meu e deles, num tempo absolutamente certo, com espaço e abundância. E fraternidade.
Foi então que a cigana velha disse:
 - Deus está contigo!
E tirou do fundo de uma algibeira muito funda, que um avental negro disfarçava, esta medalha com o símbolo aramaico de que nunca mais me separei!


COLAÇO, Maria Rosa MARIA-TONTA, COMO EU, AMBAR. 

Feito pelo João Palma

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

ÁGUA - Carta escrita em 2070

Ano 2070 acabo de completar os 50, mas a minha aparência é de alguém de 85.
Tenho sérios problemas renais porque bebo muito pouca água.
Creio que me resta pouco tempo.
Hoje sou uma das pessoas mais idosas nesta sociedade.

Recordo quando tinha 5 anos.
Tudo era muito diferente.
Havia muitas árvores nos parques, as casas tinham bonitos jardins e eu podia desfrutar de um banho de chuveiro com cerca de uma hora.
Agora usamos toalhas em azeite mineral para limpar a pele.

Antes todas as mulheres mostravam as suas formosas cabeleiras.
Agora devemos rapar a cabeça para a manter limpa sem água.

Antes o meu pai lavava o carro com a água que saía de uma mangueira.
Hoje os meninos não acreditam que a água se utilizava dessa forma.

Recordo que havia muitos anúncios que diziam CUIDA DA ÁGUA,
só que ninguém lhes ligava; pensávamos que a água jamais se podia terminar.
Agora, todos os rios, barragens, lagoas e mantos aquíferos estão
irreversivelmente contaminados ou esgotados.

Antes a quantidade de água indicada como ideal para beber era oito copos
por dia por pessoa adulta. Hoje só posso beber meio copo.

A roupa é descartável, o que aumenta grandemente a quantidade de lixo;
tivemos que voltar a usar os poços sépticos (fossas) como no século
passado porque as redes de esgotos não se usam por falta de água.

A aparência da população é horrorosa; corpos desfalecidos, enrugados pela
desidratação, cheios de chagas na pele pelos raios ultravioletas que já não
tem a capa de ozônio que os filtrava na atmosfera, imensos desertos
constituem a paisagem que nos rodeia por todos os lados.

As infecções gastrintestinais, enfermidades da pele e das vias
urinárias são as principais causas de morte.

A indústria está paralisada e o desemprego é dramático.
As fábricas dessalinizadoras são a principal fonte de emprego
e pagam-te com água potável em vez de salário.

Os assaltos por um bidão de água são comuns nas ruas desertas.
A comida é 80% sintética.
Pela ressequidade da pele uma jovem de 20 anos está como se tivesse 40.

Os científicos investigam, mas não há solução possível.
Não se pode fabricar água, o oxigênio também está degradado por falta
de árvores o que diminuiu o coeficiente intelectual das novas gerações.

Alterou-se a morfologia dos espermatozóides de muitos indivíduos,
como consequência há muitos meninos com insuficiências, mutações e deformações.

O governo até nos cobra pelo ar que respiramos. 137 m3 por dia por habitante e adulto.
A gente que não pode pagar é retirada das "zonas ventiladas", que estão
dotadas de gigantescos pulmões mecânicos que funcionam com energia solar,
não são de boa qualidade mas pode-se respirar, a idade média é de 35 anos.

Em alguns países ficam manchas de vegetação com o seu respectivo rio que é
fortemente vigiado pelo exército, a água voltou a ser um tesouro muito
cobiçado mais do que o ouro ou os diamantes.
Aqui em troca, não há arvores porque quase nunca chove,
e quando chega a registrar-se uma precipitação, é de chuva ácida;
as estações do ano têm sido severamente transformadas
pelas provas atômicas e da indústria contaminante do século XX.

Advertiam-se que havia que cuidar o meio ambiente e ninguém fez caso.

Quando a minha filha me pede que lhe fale de quando era jovem descrevo o bonito
que eram os bosques, lhe falo da chuva, das flores, do agradável que era tomar
banho e poder pescar nos rios e barragens, beber toda a água que quisesse,
o saudável que era a gente. Ela pergunta-me:
Papá! Porque se acabou a água?

Então, sinto um nó na garganta; não posso deixar de sentir-me culpado,
porque pertenço à geração que terminou destruindo o meio ambiente ou
simplesmente não tomamos em conta tantos avisos. Agora os nossos filhos
pagam um preço alto e sinceramente creio que a vida na terra já não será
possível dentro de muito pouco porque a destruição do meio ambiente chegou
a um ponto irreversível.

Como gostaria de voltar atrás e fazer com que toda a humanidade compreendesse
isto quando ainda podíamos fazer algo para salvar ao nosso planeta terra!

(Documento extraído da revista biográfica "Crônicas de los Tiempos" de Abril de 2002.)


Apresentação da Carta de 2070